domingo, 21 de maio de 2017

Domingo

Sozinho
Mato minhas horas
Sobrevivo, incólume,
Às minhas memórias
Me defendo do nada
Com livros, músicas
Quadrinhos, histórias...
Palavras, imagens e melodias
São como sangue quente
Em minhas veias frias.
Estar aqui, simplesmente,
Nesse tempo que flutua
Estático, parado
É esperar um alguém
Que, tristemente, nunca vem
Ficar aqui do meu lado.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

O quanto me resta

Vida, não sei do teu tempo
O quanto me resta
Esses tantos livros, aqui,
Chegarei a ler todos? Não.
Me dá uma dor danada
As páginas inacabadas...
E essas pessoas que amo
Tenho com elas dias, meses, anos?
Meu filho, não sei da vida
O quanto me resta!
Não sei o quanto, ainda, estaremos juntos
Antes do meu esquecimento
Antes que eu seja apenas poeira, memórias, momentos
Antes de sumir num inverno lento.
De repente perdi meu futuro,
Tudo o que vejo adiante é névoa densa, escuro
Vivo no passado, que em nada acrescenta
E no fugaz e único movimento do hoje
Que me inventa
Sabe lá, quando acabar,
Se a alma não for pequena
Sabe lá se valeu a pena...


terça-feira, 9 de maio de 2017

À queima-roupa

No Centro lotado,
Vendo a bela moça
(Intempestivamente)
Cometeu uma poesia
À queima-roupa...
Foi abordado pelos soldados
Irados
"A que nível de assédio chegaram
Esses desviados?"
Tristes tempos
E o poeta quedou-se algemado
Nas grades da calçada
Por falta de celas
E de sensibilidade.