domingo, 15 de outubro de 2017

Única certeza

Tristeza não tem fim
A Morte? Sim.
A Morte é o fim...

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

O que ficou

O amor foi para mim
Tal qual um veneno forte
Sorvi de todo frasco, até o fim
Agora ficou-me só a Morte.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Imitador

Quando pequeno
Queria ser imitador
Hoje imito a dor
Tão convincentemente
Que já nem sei o que é teatro
Nem o que é normal
Cuidado com os sonhos de infância
Eles podem se tornar reais.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Navio Fantasma

Hoje eu posso dizer que já me livrei de todas as certezas absolutas
Perdi a razão
E perdi também a necessidade de ter razão
A vida virou um navegar, sem porto certo de chegada
Um simples movimento ao sabor dos ventos
Ou um rodopiar à ira das tempestades
De posses, tenho somente meu pequeno baú de tralhas
De objetivos, eventualmente ser corsário diante de ricas naus, que ao acaso surgem
Sabendo que riquezas são tão pueris e inúteis como certezas absolutas
Sou um marujo sozinho, tentando guiar meu navio fantasma
Rumo ao definitivo nada
Sem certeza de chegar ao final
Em dúvida, se o final já chegou...

domingo, 21 de maio de 2017

Domingo

Sozinho
Mato minhas horas
Sobrevivo, incólume,
Às minhas memórias
Me defendo do nada
Com livros, músicas
Quadrinhos, histórias...
Palavras, imagens e melodias
São como sangue quente
Em minhas veias frias.
Estar aqui, simplesmente,
Nesse tempo que flutua
Estático, parado
É esperar um alguém
Que, tristemente, nunca vem
Ficar aqui do meu lado.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

O quanto me resta

Vida, não sei do teu tempo
O quanto me resta
Esses tantos livros, aqui,
Chegarei a ler todos? Não.
Me dá uma dor danada
As páginas inacabadas...
E essas pessoas que amo
Tenho com elas dias, meses, anos?
Meu filho, não sei da vida
O quanto me resta!
Não sei o quanto, ainda, estaremos juntos
Antes do meu esquecimento
Antes que eu seja apenas poeira, memórias, momentos
Antes de sumir num inverno lento.
De repente perdi meu futuro,
Tudo o que vejo adiante é névoa densa, escuro
Vivo no passado, que em nada acrescenta
E no fugaz e único movimento do hoje
Que me inventa
Sabe lá, quando acabar,
Se a alma não for pequena
Sabe lá se valeu a pena...


terça-feira, 9 de maio de 2017

À queima-roupa

No Centro lotado,
Vendo a bela moça
(Intempestivamente)
Cometeu uma poesia
À queima-roupa...
Foi abordado pelos soldados
Irados
"A que nível de assédio chegaram
Esses desviados?"
Tristes tempos
E o poeta quedou-se algemado
Nas grades da calçada
Por falta de celas
E de sensibilidade.