quinta-feira, 28 de julho de 2016

Um quase agosto

Fins de tarde gelados
Se sucedem, implacavelmente.
Ao menos o é céu limpo
Como um corte seco, cicatrizado sobre a pele.
Pensamentos conflituosos, emoções em desalinho,
Tantas direções a tomar
E o tempo que falta, meu Deus,
O tempo que falta, agora, é tão pouco...
Já é quase agosto
E hoje, propositalmente,
Eu me recuso a rimar.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Estrelinha

Brilha entre nuvens minha estrela triste
Brilha no frio, na desolação que insiste.
Brilha sozinha, tão solitária incide
Tão pobrezinha, diante do esplendor da lua
Quem sabe terá, quiça um dia,
Outra estrelinha pra acompanhar a sua...

quarta-feira, 13 de julho de 2016

A preço de custo

Se me vires por aí, nalguma esquina
Vendido a preço muito barato
Não te espantes!
Busco o sustento e a dignidade,
Que a vida não me ofereceu
E por uns poucos réis
Durante pouco tempo,
Tu podes me chamar de teu
E lavar o chão com minha vaidade!
Mas não vais levar o que tenho
De mais meu... minha liberdade...

Achados & Perdidos

Todos os amores idos
Podem ser encontrados
Numa imensa sessão
De achados e perdidos
Irremediavelmente perdidos...

terça-feira, 12 de julho de 2016

Fragmento

A barba por fazer indica descaso. Desistência. As poucas e tantas coisas boas que guardo comigo já não causam interesse, já não tem sentido. A dor é soberana e corta todas as sensações. Paradoxalmente eu perco até a fome, último reduto dos meus prazeres. Resta cada vez mais nada, e o relógio caminha inexorável para o nada, para o fim. O fim que dissolve as coisas, que promete não restar mais nada, sobretudo essa sensação de fracasso rotundo que me acompanha desde os primeiros dias. A dor é a chave para a libertação dessa aprisionante rotina. Girar a chave é livrar-se dela.

sábado, 9 de julho de 2016

O Abraço

Chegou a hora
Quando te deparas com o negro manto...
Ela esteve a tua espreita durante tantos anos
E agora, que todos os caminhos convergem em sua direção,
Já não tens mais escolha
Sobra uma sensação de desapego forçado
Das coisas e, sobretudo, das pessoas que amas
Amor... Não foste feito pra todos.
Nessa viagem da vida eu sempre fui um náufrago...
Agora, o que vai ser o tempo a seguir até o fatídico ato?
Uma triste e angustiante espera?
Nada mais me restou...
Por outras mão, ao mundo vim
Por minhas mãos, ao Inferno vou
Mas a eternidade no Hades não há de ser pior
Que esse viver incompleto
Que a vida, avara, sempre me dispensou
Eu hei de ser poeira levada
Nos ventos de Porto Alegre
Eu hei de ser uma estrela fugidia
Nas noites em que meu filho lembrar de nós
Eu hei de ser nesse abraço, ó Morte, um pouco da minha voz
E vou cantar ao teu ouvido
Uma última e alegre canção, que levo comigo.