terça-feira, 28 de junho de 2016

Julho de 2011

Queria falar de coisas tristes,
Mas tais me emudecem.
Queria lembrar o meu passado,
Mas tudo me esquece.
Queria esquecer quem sou,
Mas o relógio me lembra
Que já é hora de encarar
O espelho...
O espelho está quebrado
E verte sangue dos seus cacos.
Do caleidoscópio
Que resulta em minha imagem,
Há uma morte para cada ângulo.
Já não me deixo mais;
Antes, me fustigo.
Há mais que esperar da miséria
Que a falsa ilusão de um abrigo.

De passagem

O poema é como briza de chuva; quando passar, deixá-lo ir, com suas dores e cheiro de terra molhada...

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Angústia

O relógio está parado
Encaras o passado
E ele é mais luminoso
Que o teu futuro
Ou pálido presente
Perdestes por ai a sorte
Restou no teu caminho a Morte
E, ainda que não saibas em qual curva,
Ela lá está.
Nas curvas das tuas veias
Nas vielas da tua mente
A Morte é certa
Não mente.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Começou o inverno...

Começou o inverno
Sem grandes novidades;
Minha vida foi sempre geada
Sempre frio, silêncio, madrugada
Sempre chuva ao cair da tarde
Sempre o gelo a castigar o corpo
Sempre os caminhos, de alegrias, mortos
Sempre os amigos ausentes,
Uma presente espera
Não há de ser nada, enfim
Um dia há de chegar o fim:
A primavera.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Fábulas

Agora, quando todos os amores
São, quando muito, saudades
E o grande muro cerca, soberbo
Quaisquer sentimentos possíveis
Mas não mais factíveis...
Eu, diante disso, prefiro então,
Ao invés de amar
Crer nas fábulas distantes
Que consolam o coração
Quiça, como triste canção,
E não se consumam
Nem viram desilusão.