domingo, 22 de maio de 2016

Não-Química

Eu fui precipitado contigo
Não rolou nenhuma reação
Não precisas usar desse humor ácido
Esses desencontros são básicos, afinal...

Travessia

Estou fazendo um inventário dos meus passos
Tentando entender como cheguei até aqui
Parti de tantos lugares...
Hoje me quedo sozinho
Não contemplo um novo porto em frente
Talvez por azar, talvez por miopia
E não adianta mais olhar para trás
Não há abraços para que voltar...

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Dia Cinzento

Dia cinzento
Tristeza se avizinha
A alma é um lamento
Até a solidão é sozinha
Dia tão lento,
Nem as horas passam
Se arrastam pensamentos
E os sentimentos devassam
Dia difícil, tão fraco me sinto
Queria pelo menos
Um rasgo de sol, um riso de criança
Algum motivo pra lembrar
De uma distante esperança...

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Depois do temporal...

Nada mais era normal
Depois do temporal
Havia que reconstruir a casa
De fundações abaladas
Havia que remendar as asas
Sobras de Ícaro, rasgadas
E encontrar os ases, do baralho perdido...
Havia que silenciar o bramido
Daquele pranto incontido
Diante de tanta ilusão, perdida
Havia um resto a que chamar de vida
Havia uma vida maior que esse resto
E um caminhar, ainda que titubiante,
Em direção a um outro lugar
Um outro lugar melhor do que dantes.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Houdini

Mergulhado em água, da cabeça aos pés
Camisa-de-força e correntes, com muitos cadeados
Essa é a vida, uma caixa mortal com poucas possibilidades
De fuga. Fujas, enquanto puderes... Mas para onde?
Aproveita bem teus sessenta segundos de ar
Bola uma escapatória, enquanto a platéia te assiste, e delira!
Afinal, és o espetáculo! E os que te olham, te dizem,
Do alto de sua sanidade:
"Essa caixa é uma ilusão"
"As correntes foram forjadas por tua mente"
"Se te faz mal, sai daí e vai dar uma volta no parque"
Uma volta? O cachorro louco só corre atrás do próprio rabo
Não está habituado mais a passeios. Nem eu.
Deixa estar, que inda me liberto desse circo sem pão,
Onde fizeram meu viver...

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Dores sem rima, sem métrica

Hoje me quedo só...
Com minha Porto de fim de tarde
Alegre? Talvez um dia, mas hoje triste
Um pouco sombria, um tanto deserta...
Minha alma vazia, mergulhada em dores
Alguns desamores e tantos outros prantos
Que mais é essa vida senão um engano?
Afinal, a única derradeira certeza é seu ponto final.
Me leva, Porto Alegre, porque não vivi ainda
Nas tuas tantas ruas
Sequer um dia feliz.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Extremos

Um dia, por sorte,
Ou quiçá Deus, ou o Destino?
Se encontraram...
Ele era do Sul
Ela era do Norte
No mais, assim,
Eram afins:
As mesmas dores
As mesmas cores
Os mesmos sons
E um tom
De um sotaque
Elegante
Que o encantou
Num instante...
Se vai faltar rima
Em algum momento?
Não há de ser nada!
Sobra sentimento
E o coração que viaja, criança,
Pondo de lado a distância...

terça-feira, 3 de maio de 2016

Pretérito Futuro

Triste quando as perspectivas
Perdem sempre
Para as retrospectivas
Irremediavelmente perdidas...