segunda-feira, 21 de março de 2016

Romantismo Pragmático

A minha preocupação mais imediata
É que o meu coração pare...

domingo, 20 de março de 2016

Dados Viciados

Estou jogado em minha vida
Tal qual em mesa de apostas
Entre Deus e o Diabo
Dos ideais e riquezas
Que trago,
Poucos me valem
Nesse instante lúdico
Entre o Céu e o Inferno
O tormento é a ficha
Preciosa
Ansiada com extrema cobiça
Por meus indiferentes adversários
Sou eu tão somente um peão
Cujos dados Viciados
Estão nas mãos
Cruéis
Da Loucura e da Razão.

A Linha

Qual o limite
Entre o normal
E a insanidade?
Quanto me falta
Para cruzar a linha?
Eu, que há tempos a tenho
Limítrofe...
Fronteira do meu território
Não sei onde piso, Em quais terras...
Se as invadir
Certo,
Deve haver guerra.
Onde serei o Estado Ou o rebelde?
Passei minha vida às portas
Desse reino obscuro
Hoje, com a vista cansada,
Quase acostumada
Ao escuro,
Será quiça natural o dia,
Quando chegar o eclipse
Da consciência
Em que me veja nobre
Como um rei Na indigência...
Débil sanidade...
Sutil demência...
Agora eu percebo
Que cá estou
Do "lado de lá" da linha
Há tanto,
Que nem percebi a Loucura
Desvairada dama,
Que, por seus caminhos,
Me guiou
Envolto em seu manto...

quinta-feira, 10 de março de 2016

Amor Platônico

Nunca se acaba o amor
Que nunca começou...

Voando Baixo

Não sei quanto tempo mais me resta até o fim do combustível. Vou pilotando meu velho avião alemão, da Segunda Guerra, voando baixo para ser indetectável aos radares, fuselagem corroída, mantendo-me no ar a despeito do escárnio dos deuses... Os inimigos estão lá em baixo, junto com os outros, e não se pode discernir deles quem é quem. Todos me odeiam, não sei se em resposta ao meu ódio recíproco ou por simplesmente exercerem a “natureza humana”, competitiva, destrutiva, torpe e egoísta. Um dramaturgo francês declarou certa feita que “o inferno são os outros”. É uma profunda verdade. Sempre experimentei o inferno nos falsos amigos ou nos inimigos declarados. Nunca passei por um lugar sem deixar para trás meia dúzia de desafetos, no mínimo. Do que dizem de mim, sobram insultos e calúnias. Só conduzo meu avião rumo à terra nenhuma, pela simples e imperiosa necessidade de voar. Ainda assim, gostaria de mais tempo, apenas um pouco mais. O instinto de sobrevivência, independentemente do cenário, reafirma-se a despeito de tudo. Quando eu cair só restará o ferro retorcido, que será coberto por plantas, que serão cobertas pelo nada. Seria esse o significado da vida? Voar, seria apenas um sonho? De Ícaro...

terça-feira, 8 de março de 2016

Edward Mãos-de-Lítio

Ando um tanto timburtoniano
Quase, eu diria,
Parkinsoniano...
Minhas mãos-de-lítio
Tremem tanto
Que sacodem até
Essa pena
Com que escrevo...
Pena?
Não tenha pena, amigo!
Com isso convivo,
Coexisto
Visando equilibrar
Meu humor... ou humores?
Mau-humor... ou apenas dores...
Mas como livrar-me
Desses tremores
E da tristeza
Se desequilibro
Tudo o que toco?
Copo, prato, talher
Criança, homem, mulher
Tudo à minha volta treme
Nessa viagem bipolar
E perene...
Como fosse eu
O epicentro
De um terremoto
Descontrole remoto...
Sério, dispenso a Escala Richter.
A mim, me basta
Uma litemia Sérica*
Será o máximo
Descobrir, novamente,
Que não cheguei ao nível
Total Do metal No meu sangue.
Somente ao cúmulo
Dos tremores,
Mantendo-se, ainda assim,
O desvario
Dos humores... Dores... Lamentos...
Lamento.
Tremendo, nesse momento,
Dou adeus a tudo
Nesta vida
Que não foi feito para mim:
Amores, alegrias,
Conquistas, fantasias,
Risadas, botequins...
Tremendo, deixo espatifar-se
O copo (Minhas mãos-de-lítio a dançar...)
De sicuta.
Enfim,
Espero ter conseguido beber
O suficiente,
Para que chegue logo o fim...
Enquanto o espero Tremendo.

Lirismo Bipolar

Hoje, vou cantar
Maravilhas
Ou lamentar
Misérias?
Se nem eu sei!
Olho na biruta
Porque, o que represento,
Vem ao sabor
Do vento...

terça-feira, 1 de março de 2016

Fantasmas

São nossas culpas
E arrependimentos
A arrastarem-nos por ai
Correntes pesadas
A repetir eternamente em ais
O nosso último suspiro
É a saudade do que deixamos
Antes de saber o quão precioso
Era aquilo que estávamos perdendo.