quinta-feira, 10 de setembro de 2015

No Corredor Da Morte - I

No corredor da morte, o preso pensava que agora faltava pouco. Estava paradoxalmente tranquilo e resoluto. Não temia, antes ansiava pelo final. O que o incomodava era essa estranha sensação de vazio, de não querer nada, de não apegar-se. Pelo menos já sabia qual seria sua última refeição, a ser pedida ao carcereiro na véspera. Mas até lá, faltando ainda uma semana até a execução de sua sentença, que faria ele para preencher o tempo? O que estivera sempre disponível ao seu alcance? Livros, música, filmes? O "jogo da forca"? Não, a essa altura sem piadas de mau-gosto...

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Meu por...

Meu Porto, não muito alegre,
Vontade de me pôr
Com teu sol
E acordar somente
Num outro dia...

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Castelo

A solidão é um imenso castelo...
Com todas as suas pedras milenares
Todas as suas salas imensas, vazias,
Todo o seu mobiliário secular,
As armaduras, as armas, as tapeçarias
As correntes espessas, ah, as correntes!
Que os fantasmas, displicentes, arrastam
Pelos infindáveis corredores, à luz do luar...
As correntes que eu arrasto.
Toda essa construção, de mim mesmo,
É plena, sobretudo, de tudo aquilo o que me falta:
De amigos, companheiros e de amores
Da luta, do trabalho e do passar dos dias
De noites cheias e tardes vadias
Uma falta que tudo preenche.
Mas a alguém, ainda posso chamar?
Sim? Venhas, não tenhas medo
Desse tão assombroso espetáculo!
Nesse drama, mais que arquitetônico, humano
Ainda resta uma sala com um fogo aceso
E algumas histórias, com algo de aconchegante,
Pra contar... Venhas logo, todavia
Antes que eu me aclimate à essa paisagem
E seja ao final, tão somente espessa,
A poeira dos séculos...