quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

The Boxer

Estou encarando minha última luta. O rosto que mostro para o mundo é um rosto macerado por inúmeros murros e quedas. Tenho visto o ringue mais do chão, em meio à poças de sangue, do que cara-a-cara com o adversário. Todo meu corpo dói, mas dói infinitamente menos do que minha alma. A Dama de Negro apostou em minha última derrota, e correm por aí boatos de que a banca está quebrada. Eu encaro as luzes e a multidão. Sinto que ainda estou vivo quando uma pesada luva esmaga meu olho esquerdo e vejo tudo em vermelho, sob o sangue que verte abundante. Apesar de todo aquele circo, estou só. Estarei só na minha última tentativa de erguer a cabeça.