sexta-feira, 25 de março de 2011

Passatempo


As letras me fazem
Passar o tempo
Enchendo assim as folhas
De arrazoados, às vezes
Sem sentido...
Ora! O que importa
Mesmo
É o que é sentido
Nesse trilhar solitário
Por entre as palavras
Itinerário
Que é meu passatempo
Com pretensões
De literário...

Poema de março


Março será para mim
O eterno mês
Da volta às aulas...
Ainda que, a essa altura,
Não haja escola
Ou cátedra
Para regressar
Haverá sempre,
Muito
Para aprender...

Dois medos


Eu sou assim como criança
Esperando um brinquedo novo
Com dois medos:
O medo do desapontamento
De não ganhá-lo
E, do contrário,
O de não saber o que fazer
Com ele...

Ao contrário...


Deveria ter calor
Deveria ter conversa
Deveria ter amor...
Ao contrário,
A dor.
Um galho seco
No vento gélido
De um inverno
Sem cor...
Repara
Que nem a Morte
Os separa.

Mapa


Se eu fosse um cartógrafo
Desenharia para ti o mapa
Daquela terra distante
Que sempre buscastes
Em vão...
Mas não. Sou outro
Náufrago
E só o que posso fazer
É embarcar contigo
Nesse pequeno barco
Rumo às dúvidas
Que nos esperam
Na esperança de encontrar
O tesouro da descoberta.

terça-feira, 8 de março de 2011

Sobretudo


Vestiu o seu sobretudo
Sobre o quê?
Seu velho corpo
Surrado
Sua mente
Sugada
Sua alma
Vendida
Por um preço tão baixo...
É, amigos
Mais um caso em que a roupa
Vale mais que o cabide...

Ócio


A negação do negócio
O "dolce far niente"
Simplesmente o presente
Sem preocupações com futuros
Edifícios e seus muros.
O nada fazer...
Em nada fazer
É como nadar num oceano
De ócio
Criativo?
Até pode ser,
De Masi,
Mas não demais...
Só se for incidental
Porque o seu normal
É redundar
Em nada.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Até sempre, Moacyr Scliar!


A imortalidade é uma condição incompatível a nós, comuns mortais. Mas não aos escritores; sobretudo os magos da categoria de Moacyr Scliar, independentemente de academias e fardões. Foi com ele que aprendi a ser um menino judeu em “A Guerra no Bom Fim”. Ou um ser mítico e cheio de incertezas em “Um Centauro no Jardim”. Com ele participei do movimento da Legalidade em “Mês de Cães Danados”. Ou fôra tudo delírio de Joel, Guedali ou do Mário Picucha, personagens inesquecíveis daqueles romances? Essa característica de realismo fantástico, de uma ironia fina e sutil, é o que mais me encanta em seus escritos. E seguirá encantando em muitos outros que ainda não tive a honra de ler. Moacyr, contigo descobri, ainda guri, a literatura. Seguirei nessa descoberta, ainda por muito tempo ao teu lado, pois quando esgotarem para mim teus escritos, sempre haverá releituras, pois és imortal, afinal de contas... Até sempre, meu grande amigo!

terça-feira, 1 de março de 2011

Sofro


Sofro da pressão
Sofro depressão
Sofro de ansiedade
Também sofro
De saudade
E de amnésia
Do quê?
Nem me lembro
Porque...
Sofro de alergia
Nada de alegria!
E de uma tristeza
Demente
Que não há pena
Que invente...
Tudo, no fim
É minha mente
Que só sofre
A verdade
Não mente...