quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Espelhos


O homem encarou
O deserto
Que o olhou de volta
Apavorantemente
Calcinante.
Seguiram ambos
Sua jornada
Um tão escaldante
E seco
Quanto o outro...

Ama o teu inimigo!


Amo o meu inimigo
Como a mim mesmo;
Por isso o inquiro,
Persigo,
Atormento...
Nada que,
Por um momento
Eu não faça o mesmo
Comigo...

A Roda


Giro do engenho
A roda
Não sei de onde me vem
O empenho...
O Sol queima,
A força destroça...
Só mais uma volta,
Penso
Só mais uma basta...
Para não sentir
O fustigar da chibata
Só mais um dia,
Só mais uma vida...

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Alheio


Sufocado
Entre a plebe rude e,
Ambiguamente,

Com uma receita
Eu sobrevivo:
É estar alheio...
Alheio a tudo isso!
É estar o mais distante
Quão próximos eles estejam,
Degradantes!
É fazer do meu instante
Autista
Um universo mudo,
Cubista...
É ser mortal
Insignificante e,
Paralelamente,
Um Alexandre
Deus de grandeza
Delirante...

Enquanto eu blefava...


Enquanto eu blefava,
Com toda a segurança
As armas eram depostas.
Eu me rendia como um soldado
Cansado
Frente às linhas inimigas.
Tanta peleja,
Tanta intriga,
Sem nenhuma razão...
Eu caminhava em direção
Aos captores
Sem esquecer de nada
Nem de puxar
O pino
Da granada...

(Somos todos bombas prestes a explodir)

Ano Novo


Ano novo
Vida nova
Nada...
Nada viva,
Nada nova...
Tudo são sobras
Requentadas
Do passado
E a esperança
O tempero humano
Do auto-engano.

Fim da linha


O texto
Encontrou seu termo
No fim da linha
Morto por um fulminante
Ponto final.