segunda-feira, 19 de abril de 2010

Correntes

Meus pés já estão dormentes
De viva, minha vida não tem nada
A não ser a carne exposta
Em minhas pernas e braços...
Como me doem essas correntes!
Há como fugir,
Pergunto, a quem disser primeiro
Se você é seu próprio carcereiro?

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Até tu, Brutus?

O Homem só
É um bruto,
Ou é um Deus
Já dizia Aristóteles
E, sabendo eu que todos os homens
São brutos
Decidi não dar-lhes as costas
Pois como Augusto dos Anjos dizia
Da humana peleja
"A mão que afaga é a mesma que apedreja"
Então, se dos inimigos me previno de antemão
Dos amigos é que espero
Maior decepção...
Decidi ser um homem só
Bruto... Deus...
Mas, nem assim, irmão homem
Poupado dos insultos teus!
A primeira "baixa-guarda"
É uma punhalada
Seguida de muitos golpes, "corretos"
De quem entende estar fazendo "o certo"
O cerco...
O homem é o lobo do homem!
Não te iludas, querendo ser, apenas,
Bruto... Ou Deus...
Dá tu a primeira dentada!
Pois aquele que te ameaça,
Com surpresa,
Seria assim nada mais que presa...
Tua doce sobremesa
A vingança, que sorriu...
Um prato
(Vazio?)
Que se come frio.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Futurologia


Cem por cento
De certeza
Serei carne fria
Um dia...
O que é incerto?
Morto posto...
Se fui feliz,
Por onde andei,
Que feitos realizei?
O quanto amei...
Certa mesmo
Só a Morte...
Do corpo,
Da alma
(Quem sabe?)
E das desilusões?
Com sorte...

Homens, pedras, cães e castelos (Palavrismos)


Quanto mais conheço os homens,
Mais admiro os cães.
Com as pedras que me atirarem
Construirei meu castelo
Deserto
De homens...
Pois, estes,
Não valem
O que comem...
E, solitário,
Darei de comer aos cães
Que guardarão minhas
Muralhas
De homens e de pedras
Que voltarão para destruir a morada
Construída
Com as primeiras pedras
Que me atiraram...
Porém, voltemos nós ao início
Do poema...
Se a segunda sentença
Não for verdadeira de todo
(Pois o inimigo, com suas pedras,
Sempre volta à carga)
E meu castelo, convertido em lodo
Não mais me oferecer abrigo
Sigo
Admirando ainda mais os cães
Em minha destelhada, misantrópica
E amarga
Vida