quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Elegia para Zilda Arns


Por minha fé,
Tal como fizeste,
Ó meu Deus
Eu carreguei o peso do mundo
(Qual Tua cruz)
Com um sorriso no rosto
E um olhar de esperança
A todos que encontrei no caminho...
Por Ti, fui a todos os lugares,
Onde o homem pensa
(Ilusão!)
Que Deus não está...
Junto aos fracos e doentes,
Aos pobres e oprimidos,
Aos idosos, com um final de abandono
E às crianças, de um início tão paupérrimo,
Que chega muitas vezes ao fim
Antes sequer de começar...
Defendi a Vida onde ela não podia erguer-se,
Sequer viver...
E, agora, morrer assim?
Mas, que fim mais propício, Senhor
Do que tombar em Tua casa,
Minha casa
Nossa casa...?
(Morrer ao Teu lado
Na guerra pelo Bem
Onde sempre fui Teu soldado...)
Senhor, passada a hora dos espinhos
E da agonia,
Agora que eu via
Caídas por terra as paredes
Da Igreja
Eu finalmente entendia
(Aquilo que sempre soube em minhas longas caminhadas...)
Que a fé não se confina apenas às pedras,
Mas está, sim, em nosso íntimo,
No nosso sacrifício
E nas estrelas, que agora contemplo,
Junto à Tua magnífica presença...

Elegia
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.Modernamente, elegia é um
poema de tom terno e triste. Geralmente é uma lamentação pelo falecimento de um personagem público ou um ser querido. Vale ressaltar que na elegia também há digressões moralizantes destinadas a ajudar ouvintes ou leitores a suportar momentos difíceis. Por extensão, designa toda reflexão poética sobre a morte: a elegia, assim como a Ode, tem extensôes variadas. O que as difere é que a elegia trata de acontecimentos infelizes do próprio autor ou da sociedade.

sábado, 9 de janeiro de 2010

A Hora do Mergulho


A dúvida, hoje, é minha
Mais fiel companheira
Que da vida inteira, até então,
Foi dúvida crua,
Cruel,
Não confessada
Sequer ao papel...
Porém um dia
Convidou-me ela
A um mergulho
Na água fria
Do fundo poço
(De lodo...)
Superados o medo, a rejeição, a negação
(Puro engodo)
Encontrei ao fundo
(Do poço, e de mim mesmo)
Do ouro, a pepita perfeita
Do mar, a pérola mais bem feita
Das palavras, a expressão refeita
Rarefeita...
Outro saiu daquele mergulho
Um crente das dúvidas
Pois só elas nos revelam
As verdades profundas
Sobre nós mesmos...
E as certezas?
Estacas firmes no caminho
Que nos fazem morrer convictos, inflexíveis
E sozinhos...

(A grande lição da vida não é a experiência, mas a experimentação...)

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Network? Not Work!!!


Olha que perfeito!
Eles trabalham juntos o ano inteiro,
Amigos do peito, quase uma família...
A se esfaquearem pelas costas!
E quando pinta um tempo livre,
Então
Tem que ter integração!
Network, troca de experiências,
Vivências...
Faz bem para a carreira
E à formação...
Sinceramente? Deus me livre,
Eu não!
Cumpro minhas horas na Prisão
E do carcereiro, e colegas de cela
Quero léguas de distância
Quando estou longe dela...
Minha vida é um regime semi-aberto
Sem possibilidades de fuga
A não ser de mim mesmo...
Mas, querem saber, seus hipócritas?
Prefiro tomar meus banhos de Sol no pátio
E almoçar... sozinho!
E quando vocês se reunirem para brindar
À falsidade e torpeza humana,
Deixem-me quieto em minha pobre cama
No albergue de apenados
A desfrutar, ainda que por uma vez,
A doce liberdade da ausência de vocês...