terça-feira, 1 de setembro de 2009

Poema de Frankenstein

(Manuscritos Perdidos de um Menino Triste 2)

Estranho poema sem simetria,
Feito de retalhos, cerzidos com uma linha,
Capaz de amalgamar as coisas mais antagônicas:
Infâncias perdidas...
Horas alegres...
Lágrímas contidas,
Traídas,
Dores sem conta...
Amores secretos, impossíveis,
Desejos obscuros, inconfessáveis...
Ódio, vontade de explodir o mundo!
Ou de cantar uma canção, tão bela,
Que trouxesse paz a todas as criaturas...
Os mistérios, as descobertas, as dúvidas,
Sempre persistentes
Os porquês sem resposta...
A busca de sentido para a Vida
(Certezas que se dissipam...)
Um futuro que angustía,
Paixões que enlevam e derrubam
Quem ainda é tolo o suficiente
Para entregar-se de corpo e alma,
A esses sentimentos tão fora de moda...
O tempo que ainda nos falta
E a Morte
(Que espreita sorrateira)
Sedenta de todos os nossos sonhos...
O sono da manhã, o cansaço da noite,
Os hipotéticos dias vindouros?
Todas as nossas glórias e tormentos,
Tudo isso, animado de uma centelha de loucura,
Dão forma e movimento ao poema, que,
Contraditório
Abre os olhos à diversidade do Universo
Sem saber quem é ou porque é...
Confuso, aflito, ignorante das verdades
E das pretenções
Que fazem dos homens deuses e demônios...

(Poema escrito em 14 de dezembro de 1995, aos 22 anos. Muito antes de "Ponto de Ruptura", Frankenstein - que não foi "re-plagiado", garanto! - e a idéia da junção de coisas diferentes e doridas, já me inspiravam...)