sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Ângulo Diverso


Para entender-me, de fato
Deves olhar-me de um ângulo diverso...
Encarar-me de frente
Não te dirá nada,
Além da agonia instantânea
De um momento...
Ao me ver passar, captarás apenas
Os restos de uma intenção que já se foi...
E, se me vires a caminho...
Ora! Como advinharás o que sequer ainda
Eu mesmo sei?
Encontrarás a minha essência, de fato,
Olhando o meu avesso...
Além de pele, músculos e ossos
Aquele que está oculto, e escreve
O drama dos meus dias...
Esse sou eu...
Visível apenas de um ângulo diverso,
O meu próprio ângulo...

Cidade dos Anjos...


O Amor é, de início
Fascinação, espírito...
Imortal, porque irrealizado...
Para se tornar tangível,
Carne,
Deve dar-se a queda,
(Para unirem-se o Anjo e o Humano
Em perfeita sintonia...)
Mas, se a alegria do encontro
Mostra-se efêmera,
E o amor acaba em solidão, exílio,
Resta apenas a lembrança dourada
Do seu êxtase...
E a dor lancinante,
De suas feridas... Humanas !!!
(Ainda assim, Anjo, elevado as alturas...)

Vazio...


Tão cheio de mim...
Pleno de saberes...
Cumulado de dúvidas...
E vazio?

Cheio de carne, sangue, ossos,
Um fantoche perfeito
Animado por uma alma,
À tua imagem e semelhança,
E só?

Deus !!! Por que,
Da poeria das estrelas,
Criastes também essa enigmática
Sensação de vácuo?

Por que não se basta o homem,
A si mesmo?
Assim, escravo eu sou
Da busca de alguém
De quem deva eu também
Preencher o Abismo...

Vasto Mar


Aqui estou eu, a singrar
O vasto mar do tempo,
Em tua busca,
Ó mítica sereia,
Ainda que saiba que és somente
Ilusão,
E os teus cantares
Arrastam-nos ao fundo das águas...

Quisera eu, porém, pela vez primeira
Na vida,
(E a última na morte)
Mergulhado nesse vasto mar,
Ver teu semblante
Banhado pela luz e,
Ouvindo tua música dissonante
Afogar-me por contemplar tua beleza...

Assim é o amor, sublime e infame...
Potência onde os soluços de gozo e deleite,
Mesclam-se aos estertores
De um afogado...